terça-feira, 7 de julho de 2009

Uuuuuuuh!

Explico o título: Munique para mim poderia ter sido a Itália, mas não deu tempo, então foi só Munique. E ela também não é a capital política, não é a capital financeira, não é a capital turística da Alemanha. É a capital da Bavária, e isso é importante... por quê, mesmo?


Mau humor à parte, a cidade é legal porque é o mais próximo da caricatura de Alemanha que eu encontrei: homenzões bêbados de calça verde comendo wurst, casinhas de madeira com telhadinhos pontudos, igrejas góticas, etc., etc. É bonita, é bonita e é bonita!

E agora, como, preciso desencalhar esse blog, vou partir direto para os destaques.


Comecemos assim: a primeira convenção do Partido Nacional Socialista aconteceu no restaurante-cervejaria mais tradicional da cidade. Nos anos 30, Hitler fazia discursos da janela do Hofbrauhäus. Não consigo virar a foto, então entortem o pescoço, por favor.


Até o fim da Segunda Guerra, Munique foi um dos grandes centros de apoio ao nazismo. Diz a lenda que túneis subterrâneos interligam vários prédios antigos do centro da cidade, por onde Hitler poderia circular sem ser visto. De fato, ao redor da Odeonsplatz, muito prédio foi sede da Gestapo, da SS, do Partido Nazi (alguns derrubados e reconstruídos, como a própria Hofbrauhaus).


Ao contrário do centro de Berlim, onde é impossível andar dez minutos sem topar com um memorial às vítimas do nazismo, essas homenagens em Munique são bem mais sutis, quase escondidas.


A mais bonita é essa aí ao lado: uma linha amarela pintada numa ruela atrás da Odeonsplatz. Esse era o caminho que fazia quem era de oposição ao regime, para não passar pela sede do Partido e fazer aquela saudação famosa ao Führer.

O histórico de apoio/resistência ao nazismo é só uma das diferenças entre Munique e Berlim: Munique é católica (o "bom dia" deles tem "Gott" no meio, mais ou menos como o dos árabes), Berlim é protestante; Munique é cara, Berlim é barata. E etcétera. Por enquanto, eu tô do lado de Berlim. Talvez fale mais dela no próximo post.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Passado presente (... particípio, sendo o mistério do planeta?)


Essa foto arrepiante é uma das centenas que estão expostas na Topografia do Terror, o mais chocante e informativo dos rolês que eu dei em Berlim. Explico a imagem: existe um projeto para se construir um centro de documentação sobre os crimes do nazismo, que nunca ficou pronto. Aí resolveram enfrentar a falta de financiamento de uma forma bem inteligente: montaram uma exposição gratuita, a céu aberto mesmo, com as melhores fotos que dizem tudo da época. Isso tudo até hoje, e no terreno onde ficava o escritório central da SS e Gestapo.

Esse caso à parte, o miolo de Berlim é todo cheio de monumentos para as vítimas do Nacional Socialismo alemão. Como alguns já me disseram, eles estão lá para que ninguém se esqueça do estrago que uma ideologiazinha de nada pode causar. E olha que ainda tem gente que faz passeatas neonazistas (em geral, 100 pessoas para 1.000 policiais, e uma manifestação antinazi de 10.000 na outra esquina).
Essa é a foto do mais novo dos memoriais, que eu achei lindíssimo. É um imenso quarteirão cinzento com milhares (mesmo) de blocos de concreto, cada um deles com dimensões diferentes. Quem caminha entre os blocos é confrontado pela dureza irreversível do concreto, bem no meio do vibrante centro de Berlim.

Apesar de chamado por todos de Memorial do Holocausto, o nome oficial é Memorial aos Judeus Mortos na Europa. Não preciso dizer que a comunidade judia bancou a maior parte do custo da obra. Já dá pra imaginar o desconforto com outros grupos que foram perseguidos pelos nazistas.

O outro motivo de polêmica faz pensar mais ainda. O monumento é revestido de uma tinta anti-pichação para preservar a obra. Pois descobriram que a empresa que fabrica o produto era uma das fornecedoras do Zyklon-B, o gás usado nas câmaras de extermíno, para os nazistas. Houve quem achou um absurdo. Houve que relevou o problema e lembrou que praticamente toda empresa alemã com mais de 70 anos apoiou o Hitler.

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Fui pra Munique! Que é linda e totalmente diferente de Berlim, inclusive no aspecto convivência com o passado. Vou falar dela no próximo post. Acho.

domingo, 17 de maio de 2009

Segunda introdução a Berlim

Tem tanta coisa pra falar de Berlim, que eu andei até com preguiça de começar.


Então resolvi respeitar a ordem cronológica, que por acaso mais ou menos guiou a minha passeada lá. Explico: cheguei à noite e fui andar pelo centro, tirando fotos do que sobrou do Império Prussiano e do nascimento da Alemanha. No dia seguinte visitei várias coisas relativas às guerras, ascensão e queda do Nazismo. Depois, pedacos do Muro e resquícios do socialismo. Na última manhã antes de ir, a capital da Alemanha unificada e a celebrada integracão à U.E. Pouca coisa!


O interessante é que em cada um desses dias acabei passando várias vezes pelos mesmos lugares, que fazem referência a mais de um desses períodos. Parece que a História atropelou Berlim, e assim você pode olhar para a mesma coisa e ter sentimentos completamente diferentes.

Pode ser batido, mas o exemplo mais legal dessa enxurrada de acontecimentos históricos é mesmo o Portão de Brandenbrugo. Pra começar, ele é o único que sobrou da Prússia, e tão bonito que Napoleão Bonaparte queria levá-lo inteiro pra Paris (não deu; levaram só as esculturas de cima, que ficaram no Louvre por um tempo e depois, essas sim, os franceses devolveram). O Brandenburger Tor também está na propaganda mais conhecida do Nacional Socialismo: um graaande desfile cheio de suásticas para alardear a força do partido - apesar de Hitler nunca ter tido o apoio da maioria dos berlinenses, como todos fazem questão de lembrar. E, por fim, na Berlim dividida, o Portão simplesmente sumiu: ficava na área de isolamento imposta pelo lado oriental.

Por essas e por outras, ouso dizer que o Brandenburger Tor foi o monumento mais importante que eu já abracei. Quem quiser ver minha mais recente foto da série "Abraçando Monumentos", ela estará em breve no Flickr (ou no Picasa, ando repensando umas coisas).

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Chega de rodeios, em breve eu conto de verdade sobre a viagem. A próxima coisa que eu vou escrever de Berlim passa por um assunto delicado aqui: nazismo. Outro dia conversei com uma alemanzada a respeito.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O ovo do rei

Goslar é a cidade "queridinha" aqui da região onde eu estou. É bem pequena e vive de ser uma "Kaiserstadt" - uma cidade por onde algum rei algum dia passou, gostou e falou: "Vou mandar botar um palácio aqui". É essa a história que o relógio que você vê aí do lado conta seis vezes ao dia. Tem um vídeo dos bonequinhos no link do Picasa.


Vou morrer de tédio se eu resolver entrar em todos os palácios das MIL Kaiserstädte da Alemanha, por isso me concentrei no centrinho, que é bem preservado, à la cidade-pequena-que-enriqueceu na Idade Média. Goslar fica do lado do Harz, a cordilheira de montanhas da Baixa Saxônia que já foi rica em ferro, na época em que ferro valia muito. Parece que tinha ouro também.

A casa mais bonita, que se destaca na Marktplatz, é a antiga Guilda (corporação de ofício da burguesia emergente). Perto dela, a casinha simpática da prefeitura não é nada. Foi nesse mesmo prédio bonito que os artesãos da cidade encontraram uma maneira bem direta de mostrar que eram ricos. Olha só o detalhe que está na coluna da entrada. Achei um horror. Só devia ter ogro nessa cidade.

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Essa foi Goslar. Esta semana acho que vou ter mais um tempo e aí volto (aliás, começo) a escrever sobre Berlim.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Leste do Oeste

Ficou pronto meu slogan para capitais européias: Paris emociona mais, Roma impressiona mais, Berlim arrepia mais.

Como só todos os capítulos da História mundial recente deixaram marcas absurdamente profundas em Berlim, o resultado é uma mistura de capital monumental (tudo meio fake, reconstruído e tal), metrópole funcional, desordem ultramoderna e gueto. Ou seja, é tudo - como algumas palavras alemãs que eu procuro no dicionário e têm mil significados, alguns inconciliáveis! O Hobsbawn não batizou o século XX de Era dos Extremos? Então.


Um programa que todo mundo sugere é subir na torre de televisão e olhar Berlim de cima: de um lado, a arquitetura monótona típica do socialismo soviético; do outro, a diversidade interessante da ex-Berlim ocidental (nada como conhecer o lado vencedor!). Esse é o exemplo mais claro da marca que a História deixou na cidade. Só que quando você está na rua, essas realidades se sobrepõem e se atropelam.

Acho que Berlim está para nós assim como Istambul estava para quem viveu há 800 anos. Ou não. Berlim deixa confusa.

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Como fiquei só três dias lá, preferi comecar só com as impressões sobre Berlim. Os destaques da minha vida de turista vou postando aos poucos, para não cansar.

E essa semana vou pra outros lugares por aí, então vou intercalando com Berlim. Viva as cidadezinhas medievais e toda a sua simplicidade.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sehenwürdigkeiten pouco é bobagem

Esses dias fui para Erfurt, capital de Thuringen, cidade grande, antiga, da ex-RDA e bonita. Ou seja, já tem um monte de motivos para ser interessante. Por que será então que alguém teve a ideia de colocar uma estátua horrorosa de um personagem infantil na frente do prédio (lindo) da Prefeitura? E por quê um restaurante suspenso (!) na frente do principal cartão-postal (Sehenwurdigkeiten!) da cidade? Agora a torre da Severikirche dá de frente para um guindaste!

Só andei mesmo no centro histórico de Erfurt, onde tem muito verde, bondes simpáticos circulando sobre paralelepípedos e mu-uitos turistas (mais alemães, pelo que eu saquei).

Na Idade Média, Erfurt estava bem no cruzamento de duas importantes rotas comerciais. Com muito dinheiro e sem muito em que gastar, a cidade resolveu construir igrejas (há mais de 80 antigaças), algumas monstruosamente grandes, como a Predigerkirche de 1270 (virou protestante em 1488). Gostei foi da história desses vitrais que dá para ver no fundo: os originais foram destruídos por bombardeios na Segunda Guerra, e depois artistas colaram os caquinhos e fizeram um mosaico bem bonito. (Alguém me ensina a botar essa foto de pé?)
No centro mesmo ainda achei esse becão aí do lado. Me disseram que também é resquício da guerra, mas que é uma área particular onde o governo não pode reconstruir nada. Será? Punk.
Erfurt tem outras coisas bacanas, como a Krämerbrucke - uma ponte medieval onde ainda estão de pé as casas da época, como a Ponte Vecchio, em Florença (ok, menos...) - e a Citadelle Petersburg, uma graande fortaleza do século 17. Ela tem muralhas altíssimas e "ocas", onde antigamente os exércitos se protegiam e onde hoje os turistas vêem muito mofo e passam mal. Eu mesma fiquei um pouco claustrofóbica.
As fotos entram em breve no Flickr.
PS. Aliás, tenho uma história intrigante de mofo para contar. Fica para a próxima.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Morar na igreja!

Esta placa fica num ponto de Göttingen de onde se vê as quatro igrejas mais antigas da cidade.

Nenhuma delas é aquele exagero que dá pra ver na Itália, na França, etc. Mas elas são imponentes, grandes, de pedra, e muito velhas. Pô, século 11.

Um detalhe legal é que essas igrejas eram católicas e viraram protestantes na Idade Média (com exceção da St Michael, que é mais recente e católica). Em algum momento, nessas igrejas, um padre resolveu adotar a reforma de Martin Luther (ou Martinho Lutero) e traduzir a Bíblia, pregar em alemão e tudo mais.

Hoje a Alemanha é meio católica (mais pro Sul), meio protestante (mais pro Norte). Göttingen está no meio, e a população também deve ser meio a meio.

Fotos de todas as igrejas voce pode ver no Flickr (dificil fotografar, já que a cidade cresceu em volta delas e não tem muito espaço). Mas a minha preferida é a St. Johannis Kirche, essa que tem uma torre maior que a outra. Na Idade Média, ficava na torre maior o quarto do sacristão que tocava o sino. Hoje não tem mais sacristão, o quarto foi divido em dois e quem morá lá são... estudantes!

Já pensou, morar na torre de uma igreja de 1230??? Deve ser o máximo. Os escolhidos são sorteados no início do ano e não pagam aluguel, só têm que se compremeter a deixar seu quarto aberto todos os sábados, para as pessoas poderem subir e ver a vista do centro da cidade, que é bem legal.

Pra terminar: no meu Bummeln, descobri uma coisa punk. Essa escultura aí foi feita por um cara nos anos 70 no lugar onde antes existia uma Sinagoga, queimada em 1938, na época do nazismo. Essa é a vista de baixo, onde fica um memorial com o nome de vítimas do Holocausto que moraram em Göttingen em arredores (tem um monte).